Wanda Cunha, escritora maranhense
Aqui, engraxam-se sorrisos
Textos

CARTA PARA O FUTURO

São Luís, 27 de setembro de 2022.

 

Querido Futuro,

 

Mahatma Gandhi dizia que “o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente”. Então, venho aqui narrar um pouco da minha história e do que tenho feito no presente com o propósito de que bons dos meus frutos repercutam em ti, querido futuro. Sou Wanda Cristina da Cunha, nascida em São Luís do Maranhão. Meu nome literário era Wanda Cristina. Hoje, assino como Wanda Cunha, em homenagem ao meu pai, grande escritor, professor e jornalista maranhense, Carlos Cunha, falecido em outubro de 1990. No percurso que fiz entre meu passado e meu presente, consegui muitas perdas e conquistas, muitas lágrimas e risos; e muitas lembranças, as quais garimpo em meio as incertezas de que chegarei ao Futuro, com sorrisos nos lábios.

Sou professora, escritora, compositora, jornalista. Do ventre de minha mãe até aqui, fui me descobrindo no mundo. Desde cedo, por influência de meus pais, enveredei pelo magistério: nasci e me criei dentro de uma escola. Meus pais eram professores, e eu fui herdando o amor pela educação. Também, seguindo as profissões de meu pai, desde cedo comecei a escrever as minhas poesias e, quando fiz vestibular, apostei no Curso de Comunicação Social – Jornalismo. Publiquei meu primeiro livro em 1978, intitulado “Uma cédula de amor no meu salário”, de poesia. E neste ano, 2022, publiquei o décimo intitulado “Eu sou Wanda Cunha, entre o verbo e o verso”, livro de poesias, que integra a coletânea “Eu sou”, da Editora Baronesa, do Rio de Janeiro. Dentre outros livros publicados, no ano passado, publiquei a antologia organizada por mim intitulada “Ecos da Academia Maranhense de Trovas: novos trovadores”, pela Editora AMT, da Academia Maranhense de Trovas, de que sou presidente e fundada por meu pai Carlos Cunha, em 7 de dezembro de 1968.

Pertenço a várias entidades literárias, dentre as quais a Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, onde ocupo a cadeira 16, patroneada por Ferreira Gullar; membro efetivo da Academia de Letras do Paço de Lumiar/MA; sócia e fundadora da Associação Maranhense de Escritores Independentes (Amei); integro a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Coordenadoria do Maranhão – AJEB/MA. Sou sócia fundadora da Academia de Belas Artes do Rio Grande do Sul (ABARS) e da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – no Rio de Janeiro (ALSPA – RJ); Membro do Núcleo Académico de Artes de Portugal (NALAP) e da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão.

Revitalizei, em agosto de 2021, a Academia Maranhense de Trovas, fundada por meu pai, em 7 de dezembro de 1968, de que sou hoje presidente. Reeditei, neste 2022, seu terceiro livro intitulado “Eu e Academia Maranhense de Trovas”. Por meio da Academia Maranhense de Trovas (AMT) já desenvolvi várias atividades em prol da trova no Maranhão e em resgate à memória de Carlos Cunha. Também sou delegada da União Brasileira de Trovadores em São Luís do Maranhão. Integro várias coletâneas maranhenses e nacionais. Ganhei vários prêmios como compositora e escritora. Atualmente, dedico-me à produção coletiva de trovas e preparo a publicação de um romance já no prelo e outro de contos. Na prosa, utilizo uma literatura de combate à violência contra mulher. Minhas protagonistas são exemplos de superação e resiliência, denunciando uma sociedade falocêntrica abusiva. Da mesma forma, na música em parceria com minha irmã Isabel Cunha, falecida em 2021 de COVID, ela e eu fizemos vários projetos em combate à violência doméstica. Hoje, permaneço compondo, ora em carreira solo, ora com outros compositores maranhenses como Oberdan Oliveira, Paulinho Dimaré, Carol Cunha, Ana Tereza e outros.

A Feira do Livro de São Luís, em sua 15ª edição, programada para o início de outubro deste ano, prestará uma homenagem a Carlos Cunha, e a AMT, sob a minha presidência, está comprometida com o evento para divulgar atividades que sobrelevem a AMT e o nome do homenageado Carlos Cunha.

Estou participando do Concurso Literário da União Brasileira de Escritor do Rio de Janeiro, com quatro livros nas categorias adulto-conto, adulto-romance, adulto-trova e adulto-literatura infantil. Estou ansiosa pelo resultado previsto para sair em 30 de outubro deste ano. A minha ansiedade dá-se em razão de que as quatro obras são, na verdade, meus próximos projetos literários, os quais pretendo materializar até o ano vindouro, além de uma antologia dos membros efetivos da AMT.

Neste ano e fim do ano passado, conquistei alguns prêmios em Concurso de Trovas pelas delegacias e Seções da União Brasileira de Trovas em várias regiões do Brasil e até internacional. Já agora, no II Concurso de Música Samuel Barreto, em Pedreiras – Maranhão - fiquei entre os dez classificados com o samba “Catadora de papéis”, composição que fiz em homenagem à escritora Carolina de Jesus. A final desse festival será em 09 de outubro de 2022. Não sei se serei classificada entre os três melhores. Também o resultado do II Concurso de Poesia Samuel Barreto de que também participei sairá em 03 de outubro deste ano. Não sei se estarei entre os classificados. A Academia Maranhense de Letras, por seu turno, abriu um edital para publicação de poetas maranhenses. Fiz minha inscrição e aguardo o resultado.

Tu, Futuro, verificas, pois, que estes projetos foram idealizados no passado, e que, neste presente, ponho-me a criar novos sonhos para quando tu chegares, como se tudo estivesse sob o pôr do sol do amanhã. A mercê disso, William Shakespeare disse certa vez que “o passado e o futuro parecem-nos sempre melhores; o presente, sempre pior”. Não me queixo: passado, presente e futuro têm um tamanho exato de nossa finitude. Enquanto estivermos pulando de um momento para outro, seremos infinitos em nossas realizações. Quando não conseguirmos transformar o nosso futuro no presente é porque ficamos pelo caminho de nossa finitude. Espero que quando receberes esta carta, Futuro, eu ainda esteja por aí contando as minhas histórias e plantando sementes para novos amanhãs. Preciso de saber, quando esta carta chegar em tuas mãos, se as sementes que aqui plantei já viraram bons frutos ou simplesmente não vingaram em algum passado. Mas, como disse Mário Quintana o “passado não reconhece o seu lugar; está sempre presente...” Por isso, vou na linha de Epicuro, quando disse que “as pessoas lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo”. É dentro desse discurso que caminho em busca de novas descobertas de mim e do mundo.

Como disse Heráclito, “o homem não banha duas vezes no mesmo rio”, porque diferente será o homem e diferente, o rio. Sinto-me assim, nessa dialética de mim na tese do que fui no passado, transformada na antítese que eu sou no presente em busca da minha síntese em ti, Futuro. Mas a verdade, é que quando esta carta chegar em tuas mãos, este presente já será passado e tu, caro futuro, já serás presente.

Espero, até chegar aí, não estar mais com essa hérnia umbilical que me atormenta, nem com a rinite que me pisoteia. Uma coisa é certa: já não serei uma menina de 63 anos; minha artrose terá evoluído; minha visão estará mais curta e minha audição terá perdido um pouco de sua eficiência. Meus netos já não serão crianças; serão adolescentes e minha filhas já serão balzaquianas. Temo que o mundo esteja em maus lençóis, mas torço para que o amor reine em todo o universo; que não haja mais guerra; que os homens aprendam a se respeitar. Espero que tu, Futuro, seja um planeta de muita paz e muita fraternidade, algo inalcançável, mas nada é impossível. Que o bem seja um bem de todos. Afinal, como disse Leon Tolstói, “A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira”. Faço minhas as palavras de Tolstói.

No mais, a gente se vê por aí. Mas, querido Futuro, se quando me vires não me reconheceres, não esqueças do que disse Heráclito: “O homem não se banha duas vezes no mesmo rio...” Já não serei eu; já não serás tu.

Com carinho

 

Wanda Cunha

Wanda Cunha
Enviado por Wanda Cunha em 19/09/2025
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